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full moon am Strand

10 de abril de 2009

Pétalas vermelhas de amargas rosas atiradas cruelmente ao dourado salgado da areia. Areia que grudava entre os dedos de seu pé, areia que entrava em suas roupas enquanto, ali, andava ao lado dele. Não é que não gostasse, pelo contrário, achava muito lindo, apenas não se sentia tão bem quanto ele. Sim, aquele era a praia dele.

Desde o momento em que haviam se encontrado, seu coração batia num descompasso que a fazia tremer as pernas e a garota evitava olhar nos seus olhos numa tentativa de não fazê-lo perceber a sua falta de equilíbrio. O garoto, por sua vez, mostrava ser extrovertido mesmo com as constantes pausas procurando não chegar num assunto que acabaria com o clima confortável.

Os prédios à direita viam-se aos poucos sendo substituídos por campos vazios, eram agora só os dois numa imensidão de espaço que poderia ao mesmo tempo causar um sentimento de  solidão e liberdade. O sol que queimava a pele dos dois anulava-se com o vento úmido e forte, o medo do rumo que a conversa tomaria os levava mais para dentro da água, os pequenos momentos de toque de mãos deixavam seus rostos fumegando.

Ondas de calor em meio a ondas de extremo desejo provocaram um excesso de risco dentro das ondas que batiam em suas costas. O que antes era receio e amargura transformava-se em algo próximo do êxtase, uma alegria incontrolável ao poder deixar tudo que os separava naqueles quilômetros de distância dali e ao poder expressar, enfim, toda a sede que sentiam um pelo outro.

Voltaram para o macio da areia, que não mais incomodava a garota, envoltos em magia de carícias e beijos. Entregaram-se ao destino sem juras de amor ou de lembrança, essas já eram de domínio reservado. Viram o céu mudar de cor para um púrpuro raivoso e as estrelas surgirem em protestos. As nuvens que não mais se refletiam na areia molhada mandavam descer suas queixas e seus apelos. “Parem!”, elas diziam, observando aquela fraqueza, a fraqueza de seus corpos e de suas mentes incapazes de conter seus surtos de vontade.

As horas correram como que se também sentissem vergonha dos dois, e a realidade chamava do outro lado do infinito azul. Lágrimas corriam pelo rosto da jovem enquanto percebia que de nada havia servido aquilo tudo se não para atormentá-la e dividí-la ainda mais. Lágrimas incompreendidas, que faziam-no pensar em pura rejeição.

Os passos de volta à cidade eram curtos e agravavam a culpa do erro cometido. E o desejo de ver tudo novo e de fazer tudo acontecer do jeito certo dessa vez morreu na praia. No ponto exato onde a espuma encontra a memória do fim de tarde, onde a espuma encontra o espírito seco e ausente da areia.

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One Comment leave one →
  1. Fígaro permalink
    11 de abril de 2009 12:39 AM

    Isso tem nome, CHIFRE!

    uashauhs, zuera amor, confio em você ^^

    e olhando por outro lado, a história até que eh bonita.

    amo.

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