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psicóloga e oftalmologista

2 de maio de 2009

Eu ouço muito, especialmente de pessoas que têm raiva de mim, que eu faço muita tempestade em copo d’água. Eu ouço tanto que já estou começando a ficar em dúvida. Mas não é proposital, eu juro!

Também juro que meus problemas não se resumem ao exagero. Eu preciso enxergar as coisas com mais clareza. Ano retrasado, com a esperança de conseguir me situar melhor, decidi começar terapia.

Lá ia eu. Uma menina de, na época, 15 anos, com cabelos enormes sem corte, meio na frente da cara, roupas quase sempre pretas – usar apenas preto é uma arte, compreendam – e opiniões extremamente fortes (acho que de lá pra cá só mudei quanto ao cabelo, idade e grau de maturidade).

A psicóloga me olhou, me convidou para entrar. Sala detestavelmente mal-decorada. A poltrona de vovó, o armário de pinho e o tapete que queria imitar pintura rupestre aos poucos me davam nos nervos. Argh.

A mulher tinha uma calma no jeito de olhar e no jeito de falar que ao invés de me dar tranquilidade, me tiravam do sério. Eu não estava tranquila. Tinha momentos que de tanto estar estressada, eu levantava e percorria a sala, puxando livros e dando uma espiada, olhando pela janela (e desejando pular).  Eu não queria que ela ficasse calma. Honestamente, acho que ela tinha medo de mim.

Então lá ia eu, toda quarta feira a tarde, falar da minha vida pra ela. Não tinha muita vontade, então na maior parte do tempo eu ficava quieta olhando pra cara dela. Até resolver ceder. Aí eu falava. E o olhar confuso dela só me fazia querer saltar no pescoço dela, cravar minhas unhas e berrar:

“DEIXA DE SER SONSA E DE FINGIR QUE SE IMPORTA!!!!!!!!”

Então, cinco meses depois de começar, eu parei. Sumi do consultório. Ela me ligava quase todo dia querendo marcar uma consulta e eu só enrolava ela.

Hoje, depois de um ano e meio, eu preciso voltar pra terapia. Isso é um fato. Não dá pra levar as coisas como estão. Eu ando tão confusa que nem sei me descrever mais, não sei descrever o que quero.

Talvez eu precise é de óculos.

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2 Comentários leave one →
  1. sudou permalink
    2 de maio de 2009 5:25 PM

    mas ela não se importa mesmo.

  2. 3 de maio de 2009 10:45 PM

    Bom… Nunca fiz terapia, mas em alguns momentos bem que precisei. Mas do que iria adiantar? Era melhor conversar com o espelho.

    Abraços.

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