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pour elle

16 de maio de 2009

Antes de ontem fez vinte anos. Vinte anos que a pessoa que eu mais amo está no mundo. Os primeiros três eu não existia, mas quando cheguei, ela estava me esperando. Não consigo, então, imaginar a minha vida sem ela, e tenho certeza que ela não pode imaginar a vida dela sem mim.

Primeiro, uma menina de 3 anos que queria ajudar a irmã a dar banho na irmãzinha recém-nascida. Depois, uma pequena criança que era suprepotetora com outra. Veio seu primeiro dia de aula e a primeira pespectiva de eu sem ela, nem que fossem por poucas horas do dia. Vieram os cantis, os caderninhos, as aulas de desenho que ela queria me dar (e hoje sou eu quem lhe mostro as técnicas de desenho…).

Nossas brincadeiras nunca foram normais, afinal, que outras duas menininhas brincavam apenas com as cabeças das Barbies, chamando-as de “Almas do Além”, com trilha sonora “As Bachianas nº 5”?

Crescemos juntas, brincamos juntas por muito tempo, buscamos a nossa Julie juntas, nossa poodlezinha fresca. Porém, foi chegando um tempo que eu parecia perder a minha irmã. Não olhava mais pra mim, era a garota mais bonita e popular do colégio e eu era só a irmãzinha gordinha anti-social de quem ela tinha vergonha. Hoje vejo que foi culpa da pré-adolescência, a fase do patinho feio pela qual todos nós passamos e precisamos nos afirmar. Enquanto isso, fiquei um tempo sem a minha melhor amiga.

Passou. E logo eu era a garota na pré-adolescência. Nada poderia ter sido tão díficil pra mim, mas logo ela estava lá pra me acudir e me ver chorar sem questionar.

eu e ela

Cada dia que passava fazia transparecer o quanto somos parecidas, você ouvia meus escândalos amorosos (um tanto precoces) e, chocada, tentava aconselhar. Eu tentava te apoiar – e entender como alguém poderia sofrer tanto por um amor.

Veio o terremoto. A realidade de anos abalou as estruturas da nossa família. Ela já enxergava há tempos que nós quatro não estávamos mais unidos. O pai saiu de casa, a mãe parece ter pirado e eu pirei junto ao tentar fazer o papel de mãe da minha mãe. Minha irmã bem tentava esconder, mas eu a ouvia chorar de noite. Quando não se refugiava no vizinho, nós nos segurávamos. Foi no tormento que nossos laços se fortaleceram.

A poeira baixou. Você está sempre comigo, e eu sempre com você, para o que der e vier. Você, uma jovem adulta incrivelmente madura, meu chocolate meio-amargo – ou seria meio doce?; e eu, uma jovem de quase 17, avoada e artística.

Então, hoje você usa no dedo médio o anel número 12 que mandei registrar semana passada, com a seguinte frase: “Te amo, tata”.

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