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o soluço dos outros

30 de maio de 2009

O casal se observava na mesa. Um diante do outro. Estava frio e a brisa fazia as folhas dos arbustos balançarem. Ela apoiava o queixo pequeno nos braços, que se apoiavam na mesa,  olhando fixamente pra ele, que, embora não fosse, parecia muito mais velho do que ela, com a barba por fazer farta no rosto. A face dela, tão branca, estava abatida; jogou o rosto pra baixo e começou a soluçar. Os olhos dele se tornam mareados e ele se senta ao lado dela. Embora ela faça menção de chorar convulsivamente, não o faz. Ele a abraça. em silêncio. Talvez a cumplicidade deles os faça compreender e aceitar, resignados, a desgraça – que eu, como observadora escondida, não conheço – que fazia aqueles soluços saírem tão abafados da menina, tão delicada, de olhos caídos.

Talvez o próximo abraço não seja um consolo. Espero que não, por eles.

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