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brincadeira do copo

5 de julho de 2009

A sala escura. Você de um lado do sofá, eu do lado oposto. Os dois carregavamos a mesma máscara, a mesma expressão de defunto recém assassinados. Mortos por mim. Eu afundei minha cabeça na minha mão. Não conseguia chorar, estava confusa demais pra chorar.

Não sabia por que ainda deixava me atingir pelo seu passado. Ex-junkie. Suas noites recheadas de bebida, de garotos e garotas bonitos e tristes, com seus recursos sujos. O êxtase, a fuga. Noites de três anos atrás que eu sequer compartilhei. Eu conheço quem você é hoje, conheço sua delicadeza, sua verdade, seus olhos. O meu anjo… E eu sou a sua cocaína particular, posso senti-lo em suas palavras. Mas eu me deixei atingir, depois de muito tempo.

Você levantou, andou até meu lado, sem me olhar, corri para seu quarto, queria fugir do peso daquela atmosfera. Suas mãos, segurando meus ombros, mas não como da outra vez. Dessa vez, você me segurou com desespero, me prendeu na parede, eu fugia dos seus olhos, fazia menção de chorar mas não o fiz. Você suplicou por respostas que eu não tinha.

-Por quê?! Olha pra mim!  – Não dava.

Fala comigo! Por favor! O que eu fiz? Eu não posso mudar o que aconteceu! Eu queria poder mudar meu passado! Não posso! – Será que é realmente isso que me atinge? Meu medo, meu amor, é o motivo pelo qual estou me deixando afetar… Não é o passado em si, mas por que estou sabotando a nós.

-Me abraça, Stephen, por favor!

Meus braços penderam ao lado do seu corpo. Sentei-me na sua cama, sozinha. Onde horas antes senti sua respiração lenta e você o meu calor. Os sorrisos sutis, os suspiros, meus dentes puxando seus lábios sem força. Agora você olhava pra mim da porta, você podia me ver, mas seu rosto era só sombra. Eu queria não ter mudado de repente, você, leve, eu sentindo o cheiro do seu cabelo. Os risos, as piadas, as brincadeiras. Uma palavra que me levou ao passado. E pronto. O mundo caiu.

Você puxou o freio. Não olhava pra mim. Seus olhos feito vidro. Olhei pra minha casa, à minha direita, você, ao volante, à minha esquerda. Coloquei minha mão, gelada, sobre a sua, sempre quente. Eu puxei seu rosto, forçando-o a me olhar.

– Não vamos ficar assim, né?

– Fica tranquila. Não vamos.

Puxei seus cabelos, aquele beijo reconfortante. Dizemos quase ao mesmo tempo:

– Te amo.


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