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o último adeus

3 de agosto de 2009

Eu estava esperando na porta do mesmo café de todas as nossas crises. Estava 10 minutos adiantada, no ouvido, os fones, tocando Boys Don’t Cry. Estava angustiada, não sabia bem o que fazer, faria como sempre, faria o que estivesse batendo no meu coração. Vi uma amiga que sempre me faz rir do outro lado da rua. Foi impulsivo: Enchi o pulmão de ar e gritei o nome dela. Ela ouviu e veio em minha direção. Olhei pro lado, ele estava me olhando sob os óculos escuros novos – eu preferia os antigos, aliás. Me senti constrangida, ele me viu gritar feito uma idiota. Abracei a menina, sussurrei o que estava pra fazer no ouvido dela, ela sorriu desconcertada, o cumprimentou e seguiu seu caminho.

Entramos no café. Você tirou os óculos e eu pude ver seus olhos: Úmidos e vermelhos. Me senti desconcertada, os meus estavam secos. Depois de dias e dias chorando, o que se podia esperar?

Me senti má quando você começou a me implorar pra voltar, segurando o choro, sem esperança. Exatamente como em Boys Don’t Cry. Pensei na letra da música. Eu era a garota que não importava o que Robert Smith dissesse, não voltaria. Meu coração batia me dizendo pra não voltar. E eu apresentei meus motivos, expus meus sentimentos, secos, expus minha volubilidade, minha ausência de coração também.

Eu apertava a campainha que chamava a garçonete frenéticamente. Estava angustiada. Você dizia como tudo poderia ser bom e lindo novamente. Eu não queria que fosse. Não queria mais aquilo. Não conseguia entender ao certo. Você começou a chorar, de verdade. Me senti má novamente. E duas palavras vieram na minha cabeça: “chantagem emocional”. Não acho que você quisesse me manipular, mas senti isso. Fiquei desconfortável e impaciente. A garçonete não veio, em momento algum. Você suspirou, segurando minha mão: “Nunca te vi tão decidida”. E a segurava forte, no meu dedo, um anel novo, com as máscaras do teatro. Meus olhos suplicavam que ele não chorasse mais. Não chorou. Se levantou:

-Vem. Eu te levo pra casa.

Minha voz foi firme:

-Não! Vou ficar mais um pouco.

Ele me abraçou, em pé. Eu o vi sair do café, acelerado.

Fiquei sentada na cadeira, pensando, batendo os dedos de unhas curtas na mesa. Suspirei e sorri, de leve.

I would say I´m sorry
If I thought that it would change your mind
But I know that this time
I´ve said too much
Been too unkind

I try to laugh about it
Cover it all up with lies
I try and
Laugh about it
Hiding the tears in my eyes
´cause boys don´t cry
Boys don´t cry

I would break down at your feet
And beg forgiveness
Plead with you
But I know that
It´s too late
And now there´s nothing I can do

I would tell you
That I loved you
If I thought that you would stay
But I know that it´s no use
That you´ve already
Gone away

Misjudged your limits
Pushed you too far
Took you for granted
I thought that you needed me more

Now I would do most anything
To get you back by my side
But I just
Keep on laughing
Hiding the tears in my eyes
´cause boys don´t cry
Boys don´t cry
Boys don´t cry

Desculpa. Amo mais a mim mesma.

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3 Comentários leave one →
  1. karenarnold permalink*
    3 de agosto de 2009 5:05 PM

    “misjudged your limits, I’ve pushed you too far. took you for granted, I thought that you needed me more”
    foi o trecho que me veio à cabeça quando li o terceiro parágrafo. e acabei com os olhos mareados de lágrimas. não foi a coisa certa (chorar, no caso). mas é isso, não é? life goes on.
    “I felt this before
    Now I feel it again
    No matter how hard I try
    This feeling won’t end
    So I pretend you’re here by my side
    Tonight on this lonely ride
    I keep telling myself that
    Life goes on while you’re miles away
    And I need you
    Time goes on as night steals the day
    There’s nothing I can do

    You heal up my wounds
    I tasted your tears
    You spilled out your heart
    So I let out my fears
    But one fear that I kept to myself
    Was how I prayed that you’d love no one else
    Like you said you loved me

    If you only knew how much I miss you

    When my mind plays these tricks on me
    It shows me things I don’t want to see
    That’s why I tell myself
    I keep telling myself
    Just take another piece of me

    And this last mile I travel with you”

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