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fugindo pela casa

4 de outubro de 2009

Meus pés não param… Meus dedos se apertam.

E minha cabeça roda.  Lautrec… Matisse… Picasso… Van Gogh.

Roda. Rodin. Roda. Rodin. Roda. Rodin.

The Old Courtesan por Rodin

The Old Courtesan por Rodin

Já desejou tanto alguma coisa que você pira pra conseguir?

Pirando. Pirando. Pirando. Pirando. As repetições são infinitas e bato a cabeça nas paredes enquanto canto.

Meus passos pela casa. Entrando em todos os cômodos. Vejo meus olhos vermelhos em todos os espelhos. Minha cabeça girando. Me arrasto até o chão do banheiro. Encostada em um canto eu desejo que tudo pare de rodar. As flores que arranquei do canteiro da minha vó hoje estão amassadas na minha mão. Como eu amassava quando eu era criança… As flores não duravam muito naquele jardim quando eu estava por perto. De repente estou chorando. E tudo está acabando… Repito isso enquanto me acolho em meus braços, os únicos que sempre estiveram lá pra mim. Tudo está acabando a cada segundo.

Estou tonta.

Deito no tapete do meu quarto. Choro. E rodo. Redsinestesia me fala dos seus medos… Karen Arnold me pede um abraço. Lana aparece do nada pra me dar um abraço na minha casa. Andy come bolo de chocolate enquanto diz que ela está confusa e parte meu coração. A loira dos olhos verdes aperta minha cintura contra a dela e sussurra palavras no meu ouvido. Ele diz que me ama, depois me dá um copo de água pra apaziguar a bebedeira, outro copo de água e então outro.  Ele chora ao telefone. Sua voz começa a sumir. Não a ouço mais. Os meninos dão risadas, desenham pelas carteiras, me confessam seus segredos… Sou toda confidente. Os piores anos da minha vida talvez não tenham sido tão ruins assim. E passaram rápido. E parecem se desfazer rápido.

As esperanças no meu peito, onde estão? Tudo parece bater em um ritmo desacelerado. Meus sonhos parecem estar chovendo. E o romance? Não sei mais considerar o romance. O que é? Utopia. Ilusão que o mundo pop enfiou goela abaixo. Ou talvez exista, mas eu não mereça. As garotas não parecem mais bonitas, o céu nunca mais foi azul, os homens nunca mais foram interessantes, os beijos parecem vazios, os sonhos parecem feitos de lama, o futuro parece derreter diante dos meus olhos inchados.

Me arrasto até o banheiro. Levanto a tampa da privada. Dedo na goela, como quando eu tinha 13 anos.

Regressão estúpida. Evolução reversa.

E quando é que meu coração vai desistir afinal e tudo vai virar pedra? Quando?

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One Comment leave one →
  1. karenarnold permalink*
    4 de outubro de 2009 8:16 PM

    é estranho. aliás é muito estranho como isso me faz lembrar de como nós deixamos de ser crianças cedo. não digo que nos tornamos maduras porque não é completamente verdade. mas sucumbimos à pressão tão jovens. às vezes penso que seria muito pior se esse fosse o primeiro surto. mas talvez se não houvesse algum antes, não haveria esse também.

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