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animalesca

20 de novembro de 2009

Cinco horas da manhã. Um dia antes de um feriado. Abro o Microsoft Word e começo a digitar.

Até meu retrato parece evocar algo vil. Não existem palavras evocadas por essa garganta que não pareçam verdade. Mas eu minto. Minto até para mim mesma. E minto bem. Isso torna impossível saber o que é verdade e o que não é. Será que existe alguma verdade?

As pessoas andam muito rápido nas ruas. Seus ombros se batem, suas bolsas se batem, seus pés marcham sobre o cimento em um compasso acelerado. O mundo está lotado, as pessoas mal conseguem se segurar no topo das montanhas, estão sendo expulsas do planeta. Com tanta gente a correr, a solidão passa de coração em coração. O tempo brada: “Vais morrer! Vais morrer!”. Ninguém quer morrer sozinho… Procura-se em alimentos e em sexo um acalento.

Sim. Sexo. Até nas formas menos evidentes dele. Comer e comer, instintos básicos do ser humano… Aluísio Azevedo concordaria comigo. E é nisso que as pessoas se unem. Unem-se para buscar seu sustento, para viverem “romances”. O que caralhos são romances além de encontros sexuais? Um olhar sexual, um toque sexual, um sorriso sexual, um “quero te ver” sexual, conversas sexuais. Se reunir com outras pessoas para falar sobre sexo. Se reunir com outras pessoas para falar de outras pessoas com quem já sonhou em fazer sexo, se reunir para falar de obras de arte que evocam sexualidade, se reunir para ouvir música que evocam sentimentos pré-sexuais. Não passamos de animais. Animais movidos por um instinto básico, selvagem e primitivo.

Eu minto. Menti tantas vezes para mim. Acho que é por isso que sou tão confusa. Por tudo que me neguei, por tudo que afirmei. Não hei mais de mentir para mim. Sou podre, como todas as outras pessoas. Sou animalesca, como elas. Instintiva. E foda-se. Que se foda isso. Amanhã talvez eu acorde acreditando em amor verdadeiro. Bah.

Até que ponto isso será verdade ou mentira?

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One Comment leave one →
  1. Bruno More permalink
    21 de novembro de 2009 1:37 AM

    INCRIVEL! Falou tudo o que para todos nós é automatico, uma interpretação da fome contemporanea humana, onde nas grandes cidades a fome comum se limita a fast food. Logo mais teremo uma Fast Food sexual por ai!

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