Skip to content

auto das fraquezas

29 de dezembro de 2009

E que alguém me diga então:
Quem é o vagabundo sem o bitolado
Se existe algum tonto sem o esperto
O que é o Artista?

Bitolado:
-Desgraçado, Vagabundo!
Com que autoridade me condena?
E não é você um vagabundo?
Honra teu nome condenado!
Inveje meu ar de precisão
Amo o que se tem certeza
Sei quanto tempo terá o dia de amanhã
Sua respiração é descompromissada com o tempo
Se o amor bate em sua porta
Tens preguiça de atendê-lo
E ainda sim me diz que o desconheço?

Vagabundo:
-Não disse que desconhece
Digo que tens mais dificuldade
E se me corta o sentimento
Durmo por dias inteiros
Seu batimento já é diferente
Quando se machuca esquece o sono
Passa noites com os números
E como resposta dessa provocação
Digo que sou mais feliz
Enquanto foges com as contas
Tenho eu o meu sono
Que mesmo que sozinho
Possuo um motivo para deitar na cama
E não me critique pois não te incomodo
E se incomodo é porque é vazio
As contas que lhe tomam a cabeça não me devem arrongância
E apenas como lembrete te digo:
Do amor não se sabe
Não se apressa
Nunca se espera por quem não crê em ponteiros.

Artista:
-Mais dificuldade tenho eu
Que descrevo o que o homem sente
Trago para o real o abstrato
Sofro mais que o sentimento
Sou intenso e de convivência enjoativa
Me jogo no chão e grito pela poesia das cores
Choro para aprender a descrição da lágrima
Vivo entre o céu e o chão
Vomito o que me corta a alma e toca a garganta
Amigo do suicídio
Me identifico com o Vagabundo
Admiro o Bitolado por seu casamento com o tempo
E esses que brigam por aquela amada
Devo lembrá-los então:
Ela já se foi, meus amigos!
E já descrevi sua ida
Adeus ausentado de graça
Gostariam de ler a solidão de vocês?
Uma poesia sem graça,não?
Nem amor tinha!
Mudo de assunto para que não chorem
Morro de pena de seus olhos
Talvez não do Vagabundo
Sua preguiça o impede de chorar
Nem sempre é humano
Já o Bitolado é diferente
Tem vergonha das lágrimas
Só chora no escuro
Disse que mudaria de assunto e não mudei
Mil perdões!
Questionarei aqui, caros amigos
O que existe no bitolado e no vagabundo
E se esse também é cravado em meu peito.

Bitolado:
-O que seria o comum entre nós?
Esse poderia atingir um bitolado e um vagabundo?
Se é o que estou a pensar…
É o Amor?

Vagabundo:
-Nao seja tolo, Bitolado!
Volte para seus cálculos!
Dê um bom dia a quem te ama!
E já não fomos zombados pelo Artista?
A Paixão nos abandonou!
Mas que atenção ausentada!
Depois eu que sou nomeado vagabundo!
Não é o Amor!
Nenhum de nós possui o outro dos poetas
O palco dos sonhos
A inveja de quem é feliz
Não é o Amor, Bitolado!
É a ausência dele.

Carência, carência!
O doce das tristezas
Bela e horrenda
Te amamos tanto…
Sem você é deserta a inspiração
Amada dívida do inferno
Bruxa dos sozinhas
Assunto nunca confortável
E não é confortável porque incomoda
É a dor de todos os homens
O consolo de toda a ausência
Arde no Bitolado e no Vagabundo
Mata o Artista.

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: