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“é só um cara, e tem tantos caras”

19 de agosto de 2010

minha vida deu uma volta de uns.. 45º. é, eu já tinha o caminho. ele só andava meio.. desviado. sabe? ainda presto vestibular, ainda quero medicina. é que antes tinha o fator desviante (você percebe que o cursinho te consome quando pensa em uma matriz com senos e cossenos multiplicando sua vida para desviá-la), o.. CARA.

parecia ser o primeiro e último, e o único. mas era só mais um.

hoje, depois do fim, pareço mais centrada, menos preocupada com as satisfações e os problemas que não eram bem meus. é claro que agora, só, vieram problemas novos. aqueles problemas do só ter a si quando não se lembra mais de como é essa circunstância. com o fim, é claro, vieram todas as expectativas de novos começos. direções diferentes, fins diferentes. mas depois de um tempo todos eles pareceram desnecessários, ultrapassados, sem sentido. talvez eu quisesse mudar, mas não absolutamente. nesse período eu descobri, finalmente, fatalmente, que não sou suficiente.

não desejo o meu primeiro único de volta. ele passa bem, obrigado, com sua nova namorada. hoje em dia isso pouco me incomoda, também. o que eu desejo é alguém. não importa bem quem (ou talvez importe, mas não vem ao caso), é aquela necessidade do sentimento em si. a saudade de sentir saudades, da sensação boa de saber que existe alguém por você, a vontade de não ser só. pelo menos não agora..

tantos caras. caio fernando abreu disse:

“Ainda outra vez tocarão teus seios, lamberão teus pêlos, provarão teus gostos. E outra mais, outra vez ainda. Até esqueceres faces, nomes, cheiros. Serão tantos. O pó se acumula todos os dias sobre as emoções.”

não poderia existir maior verdade. eu procurei, sim, em outros corpos encontrá-lo. a minha desgraça, na verdade, foi conseguir em partes. mas eu.. perdi o jeito. sobrou só o molejo do amor machucado. a insuficiência, e a solidão..

queria bastar pra mim.

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One Comment leave one →
  1. karenarnold permalink*
    20 de agosto de 2010 8:38 PM

    “Essa morte constante das coisas é o que mais dói”

    – Caio Fernando Abreu In: Ovelhas Negras –

    vai ver que a coisa toda não é sobre se bastar mas sobre ver que as outras pessoas nada tem pra nos completar, já somos completos e temos o que precisamos. eu sei que alguma hora toda essa minha exatidão e tranquilidade vai passar. até lá…

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